SÃO JOÃO BATISTA !

 

 

 

 

 

A Festa de São João, relembra São João ou João Batista, o homem que nasceu em 24 de junho e, através de suas atitudes na vida, trouxe a mensagem de que "devemos mudar nossos rumos para encontrar a luz", sugerindo que o caminho para isso é a meditação, a interiorização, a reflexão, pois São João nos ensina que todas as respostas estão e serão encontradas dentro de nós.

 

Essa mensagem nos leva ao conteúdo da festa que é a Sabedoria, a capacidade de aprender algo a partir de nós mesmos. Devemos trabalhar em nós a coragem para um julgamento interior consciente; visando nosso amadurecimento como pessoa.

 

Na época da Festa de São João, no nosso hemisfério, vivemos o inverno e o frio que favorece o recolhimento, a meditação, a necessidade de ficar quieto e em silêncio e se respeitarmos os momentos de recolhimento natural das crianças, tomando o cuidado para que o ambiente da casa esteja aconchegante, então estaremos permitindo que a criança viva intensamente esta festa.

 

Na Festa de São João existe o costume de acender a fogueira, imagem em que a luz simboliza a sabedoria, a luz interior e o calor do amor, representando o movimento da sabedoria capaz de iluminar o pensamento, aquecendo o coração.

 

Dentro da Pedagogia Waldorf também temos o costume de acender lanternas feitas pelas próprias crianças e adultos. Elas representam a luz interior de cada um, a sabedoria oferecida para iluminar o mundo. Depois de viver a Sabedoria o homem se prepara para a próxima festa.

 

Nesse momento o inverno vai deixando nosso hemisfério e a primavera vai se apresentando,. Toda a natureza, como um ato de coragem, começa a florescer. O homem também desperta, o sol começa a puxá-lo para fora, ele agora deve atuar.

 

 

 

 

SÃO JOÃO : FESTA DA FERTILIDADE DA TERRA E DO HOMEM

 

 

Europa pagã e agrária, festa popular em louvor à fertilidade da terra e do homem. Colheita farta, prazer, resultado do esforço, suor e laboro humanos. Orgulho simples, mas essencial à vida.

 

Celebrar Juno, deusa da fartura em ritos que envolvem o imaginário individual e coletivo, alimento para o espírito. Crenças que enobrecem a vida e explicam o inexplicável da alma humana.

 

O fogo que aquece, prepara os alimentos, espanta os malfazejos e ainda reúne em volta das fogueiras, mulheres, homens e crianças, agrupando os diferentes, mas tão iguais nas suas aspirações e sentimentos.

 

A situação do catolicismo desenvolvido na Península Ibérica diferencia-se da de outros países europeus, como Holanda, Inglaterra e França, que ficam mais presos aos textos do cristianismo primitivo. Portugal evolui para o catolicismo popular, aglutinando elementos de antigos ritos pagãos à devoção dos santos católicos.

 

E no Brasil, que assimila essa face flexível da religião imposta pelo colonizador, nosso povo assume os festejos juninos com o espírito de uma religiosidade popular complexa e rica, manifestada entre o sagrado e o profano. Louvam-se os santos, preservam-se os símbolos, as crendices, as simpatias e os agouros.

 

Festejar com músicas e danças e desfrutar do prazer das mesas repletas de milho, elemento básico da culinária junina. Da casa para a vizinhança, da rua para o arraial e do arraial para todos...

 

Esse é o sentimento de devoção e alegria próprio dos festejos comunitários, aquecidos no fogo da fogueira e no coração da nossa gente.

 

 

ORIGENS DE JUNO A SÃO JOÃO - DE SÃO JOÃO A XANGÔ

 

 

As festas juninas têm origem agrária e remontam à antiga Europa pagã. Comemoram a mudança do solstício, a fertilidade da terra, a época das colheitas, e homenageiam Juno, deusa romana da fertilidade.

 

Trazidas para o Brasil como conseqüência da colonização portuguesa, resultam na aglutinação dos cultos pagãos às homenagens aos santos católicos: São José, Santo Antônio, São João e São Pedro. Existem ainda aqueles que incluem São Paulo nas comemorações, pois que seu aniversário de morte acontece no dia dedicado a São Pedro.

 

As festas juninas, que por nós também podem ser chamadas de joaninas, têm São João, na tradição católica, como o principal homenageado porque ele simboliza aquele que anuncia a vinda do Messias. Os demais santos são homenageados nos seus dias específicos e têm grande influência no devocionário popular.

 

São José, o protetor da família, nos cultos afro-brasileiros corresponde ao orixá Oxóssi ou Odé; Santo Antônio, protetor dos pobres e casamenteiro, no sincretismo corresponde a Ogum; São João, dono da festa, corresponde ao orixá Xangô; São Pedro, protetor dos viúvos, dos pescadores, dono das chuvas e chaveiro do céu, corresponde ao orixá Exú.

 

 

UMA HISTÓRIA DO PRINCÍPO DO MUNDO

 

 

Um dia, Nossa Senhora, que trazia o Nosso Senhor Jesus Cristo, foi visitar a sua prima Santa Isabel, que também trazia em seu bendito seio a S. João Batista. Apenas as duas sagradas primas se avis taram, o divino Batista, que não tardava a nascer, se ajoelhara em adoração a Jesus.

Santa Isabel, que isto sentira, não tardou em comu nicar o milagre à Virgem, que, exultando, perguntou -lhe: "Que sinal me dareis, quando nascer vosso fi lho?" - "Mandarei plantar nesta montanha um mas tro com uma boneca e acender em torno uma ran de fogueira", respondeu-lhe.

E de feito: na véspera de S. João, a Mãe de Deus, vendo de sua morada uma fumacinha, labaredas e o mastro, partiu, indo visitar Santa Isabel. Desde então - concluiu a boa velha - é que se fes teja o santo com mastros e fogueiras - Oh!... Que história tão bonita"... interrompeu um dos ouvintes.

- Já agora, escutem outra, meus filhinhos; tem o memo motivo e é da mesma data: é do tempo em que nem eu nem vocês sonhávamos de nascer, e que a tera estava toda coberta de água. - Conte, vovó, conte! Tão bonito!

E a velhinha, alisando os cachos de cabelos brancos, deixando pender os braços sobre as pernas cruza das, sorveu um pequeno ronco, abriu a boca desden tada, prosseguindo:

- É o resto da história. Anos depois, quando Santa Isabel cantava, ninando o seu bendito filho, este lhe perguntou: - "Minha mãe, quando é o meu dia?". - "Dorme, meu filhinho, dorme; logo que ele for, eu te direi". E S. João dormiu.

Acordando, porém, na noite de S. Pedro, e ouvindo os foguetes e vendo fogueiras acesas, insistiu: - "Minha mãe, quando é o meu dia:" - "O teu dia já passou", acudiu-lhe ela. - "Ora, minha mãe, por que não me dis se, que eu queria ir brincar na terra?" - Sim, por que não disse - retorquiram pesarosos os meninos.

- Santa Isabel teve razão, meus netinhos; se São Jo ão descesse do céu, o mundo se arrasaria em fogo! Estas tradicionais histórias eram correntes em toda a parte, dando-lhe inteiro crédito gerações que se fo ram e gerações que ainda existem.

 

 

MAIS HISTÓRIA SOBRE SÃO JOÃO

 

 

São João,
senhor São João Batista
É filho de Isabel
e de Zacarias
É primo de Jesus
E sobrinho de Maria
Nasceu em Belém
Batizou-se em Jordão
Jesus por ser seu primo
Deu-lhe o nome de João

 

São João Batista foi o precursor da pessoa e das pregações de Cristo. Segundo o testemunho de São Lucas, nasceu numa cidade de Judá. Conforme essa mesma narrativa, o pai era sacerdote e a mãe parenta próxima de Maria, mãe de Cristo.

 

A Bíblia conta que logo após saber que nasceria seu filho Jesus, Maria foi visitar sua prima Isabel, mulher de idade avançada, que era casada com Zacarias. Lá chegando, recebeu a notícia de que, por graça especial de Deus, Isabel, que era estéril, concebera e daria à luz um filho. A criança, que, segundo a tradição, nasceu a 24 de junho do mesmo ano em que Jesus veio ao mundo, recebeu o nome Iokanaan - João, em aramaico.

 

Mais tarde, os evangelistas descrevem João, primo de Jesus, como uma figura de cabelos longos, barba emaranhada, olhar chamejante, usando traje grosseiro de pele de camelo. Durante sua juventude, viveu no deserto, onde se alimentava de gafanhotos. Ainda jovem, João aderiu à seita dos Terapeutas, também conhecidos como "essênios" (banhadores) e a partir daí passou a abominar o mal, em todas as suas formas. Adquiriu a admiração de seus companheiros, e iniciou pregações dentro e fora da Judéia, no ano 15 do Imperador Tibério, pregando às margens do rio Jordão.

 

Repudiando a opressão, inimigo da corrupção, João, que adquiriu o pseudônimo de "o Batista", por pregar o batismo de imersão como penitência para "preparar os caminhos do Senhor", ganhou a inimizade de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia. Esse governante foi bastante atacado pelo Batista, por viver em concubinato com sua cunhada Herodíades, e ainda desejar sua sobrinha-enteada, Salomé.

 

Preso, a mandado de Herodes, João o Batista ficou na Fortaleza de Machaerus, em Jerusalém, onde foi decapitado a pedido de Salomé, por quem o tetrarca da Galiléia se apaixonara.

 

João batizou, às margens do rio Jordão, a Jesus de Nazaré, e esse fato é considerado o marco inicial da vida pública de Cristo. O batismo é assim descrito pela Bíblia: um dia, enquanto João pregava às margens do rio Jordão, aproximou-se dele um moço, aparentando 30 anos de idade, que lhe pediu para ser batizado.

 

João lhe respondeu: "Como irei batizar aquele de quem não sou digno de desatar o cordão dos sapatos?" O moço, que era seu primo, Jesus de Nazaré, ao qual João, por inspiração divina, teria reconhecido como o Messias, insistiu, e João batizou-o. Naquele instante, "abriu-se o céu, e o espírito do Senhor desceu em forma de pomba, enquanto uma voz se fez ouvir: Este é meu filho bem-amado, no qual pus toda minha complacência, Escutai-o".

 

 

COMO SURGIU A FESTA DE SÃO JOÃO

 

 

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por
isso, costumavam visitar-se.
Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e
aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria
nascer seu filho, que se chamaria João Batista.

 

Nossa Senhora, então, perguntou-lhe:
- Como poderei saber do nascimento do garoto?
- Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe
poderá vê-la e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei, também,
erguer um mastro, com uma boneca sobre ele.

 

Santa Isabel cumpriu a promessa. Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, uma fumacinha e depois
umas chamas bem vermelhas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e
encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos
santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no
dia vinte e quatro de junho.
Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, e fogueira e
outras coisas bonitas como: foguetes, balões, danças, etc…
E, por falar nisso, também gostaria de contar porque existem
essas bombas para alegrar os festejos de São João.

 

Pois bem, antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias,
andava muito triste, porque não tinha um filhinho para
brincar.
Certa vez, apareceu-lhe um anjo de asas coloridas, todo
iluminado por uma luz misteriosa e anunciou que Zacarias ia
ser pai.

 

A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz,
emudeceu até o filho nascer.
No dia do nascimento, mostraram-lhe o menino e perguntaram
como desejava que se chamasse.
Zacarias fez grande esforço e, por fim, conseguiu dizer:

 

- João!
Desse instante em diante, Zacarias voltou a falar.
Todos ficaram alegres e foi um barulhão enorme. Eram vivas
para todos os lados.
Lá estava o velho Zacarias, olhando, orgulhoso, o filhinho
lindo que tinha…
Foi então que inventaram as bombinhas de fazer barulho, tão
apreciadas pelas crianças, durante os festejos juninos.

 

 

VÉSPERA DO DIA DE SÃO JOÃO

 

 

Na véspera de São João nas belas plagas do norte, como foram alegres outrora aqueles sítios, aquelas vilas e povoados incultos, aqueles sertões vastíssimos e maravilhosos, comemorando em tradicionais festejos o nascimento do Batista!...

 

Aquele povo, religioso e altivo, voltado por índole às superstições e aos folguedos, influía-se por tal forma nessa fase ânua, caracterizava-se por tal modo com colorido próprio, que a descrição desses personagens e costumes constitui um verdadeiro quadro de gênero a suspendermos aos muros do passado, onde as inscrições de nossa nacionalidade se apagam quase a olhos fitos.

 

Apesar de generalidades em pouco dessemelhantes em todo o norte do Brasil, era em Pernambuco e Sergipe, onde a véspera de São João primava pelos aprestos e pela prosmicuidade dos tipos que figuravam em grupos, pelas apoteoses verdadeiramente teatrais que adornavam a noite de flamas intensas ou moribundas, que lá se iam refletir nos horizontes matinais como largos borrões violáceos e alaranjados.

 

Recolhendo mais diretamente da Bahia a nota capital dos festejos, era em Sergipe e particularmente na vila do Lagarto que a tradição se perpetuava com o verdor primitivo, enfeixando num momento dado o elemento lendário e o elemento popular, na quinta essência do seu perfume e de suas pitorescas exibições.

 

O local escolhido nessa vila para o grosso dos festejos era a praça da Matriz, onde desembocavam várias estradas da Estância e Simão Dias, campeando a garrida esplanada entre a mata e o sertão, entre a lagoa dos Missionários e a do Padre Pacheco.

 

Daí as alvas torres da Piedade e do Rosário erguiam-se absolutas às vistas crentes dos sertanejos, contornando estes templos ampla cintura de pequenas casas, rudemente arquitetadas e dispostas.

 

Desde o amanhecer tornava-se esse largo curioso e encantado pelo movimento que se desenvolvia, pelo antecipado regozijo dos habitantes, por uma dezena de coisas outras que atraíam a muitos e em que se empenhavam não poucos.

 

Dias antes longos bambus cortavam-se no mato para os foguetes em preparo; os principais da folia acondicionavam em alforjes rojões, roqueiras, craveiros, busca-pés, etc., entrando em várias casas carregados com cestos de milho verde, carás, batatas, aipins, cocos, inhames, ovos e o mais necessário às tradicionais ceias de São João.

 

Nas salas arrumadas, acercados de velas de cera, lá se achavam os oratórios e os tronos, que descansavam em custosas toalhas de crivo a pequena imagem de São João, em frente da qual as gentis matutas, os escravos e as famílias haviam rezado as clássicas novenas e ladainhas.

 

Aos primeiros clarões do dia, diversas árvores, com especialidade palmeiras, barulhavam arrastadas por foliões em tropa, que cavando oportunamente a terra as plantavam, amarrando-lhes em volta do topo de carás, milhos cocos e feixes de cana, ao mesmo tempo que tabaréus possantes arriavam do ombro pesados troncos e precisa lenha, contornando-as em fogueiras.

 

Barricas repletas de combustíveis, cabeças de alcatrão fincadas ao acaso, mastros encimados de boneca, todos os acessórios enfim descortinavam-se de um olhar, não sendo raros no lufa-lufa os vivas a São João, as resingas, as quedas no atropelo, as cantarolas e as gargalhadas, que amenizavam a lida e consagravam o dia.

 

 

 

 

Eis senão quando, para mais acentuar o ritual da noite, à semelhança de saltitantes pombas ao alvorecer dos ninhos, moças e crianças ornadas de floridas capelas, vestidas de branco e enfeitadas de fitas transpunham alvissareiras as salas festivas, dançando cadenciadas e belas, cantando trovas populares.

 

Capelinha de melão
É de São João;
É de cravo, é de rosas,
É de manjericão.

 

E isso lhes dava entrada nos folguedos do lar e ao relento, continuando em langoro e ardente ritmo mais outros cantares.

 

Anda à roda, candeeiro,
Anda à roda sem parar.
Que aquele que errar
Candeeiro há de ficar.

 

Candeeiro...ó!...
Está na mão de ioiô!
Candeeiro...á!...
Está na mão de iaiá!...

 

Essas cenas, esses preparativos iam até o entardecer, em que as máquinas (balões) pontuavam de fogo o ar obscuro, e a molecada e os moradores acendiam as secas achas das fogueira e os primeiros rojões faziam-se ouvir, levantando os ecos do além.

 

Pouco a pouco, animando-se os brinquedos, das janelas abertas as moças e os rapazes acendiam pistolas, rodinhas e craveiros, que formavam, sustidos em braços rompentes, lençóis de fogo, tiros cujas lágrimas caíam, quais gemas líquidas nas paredes fronteiras e no chão da praça, ao passo que moradores, visitas, gente que vinha de longe tumultuava fora.

 

Dispersos ou alinhados em partidos, empenhando-se até por adiantadas horas da noite singulares combates de buca-pés, facheados em destras enluvadas de couro, sendo comum verem-se mulheres tomando parte na luta, ao fervor da qual, aos clarões do fogo, arrepanhando as saias e erguendo a perna, os arremessar por baixo, indo as tabocas fumegantes cair nos arraiais hostis, onde rebentavam com estrondo.

 

E no meio da algazarra, da confusão sem termo, dos estalos das árvores que ruíam crestadas pelas chamas de assovios e das gargalhadas, ouviam-se intermitentes tradicionais cantigas, entoadas pelos meninos e molequer beirando os braseiros:

 

- São João é um?
– Será ou não!
Tatu no mato
Com seu gibão,
Um pé calçado,
Outro no chão.
– Viva São João!...

 

E ao lado das pretas velhas, nos espaçosos quintais, no lar das famílias, aos estalos das bichas, aos espirros das rodinhas, ao estourar das bombas, ao efeito das carretilhas e de outros fogos, cantavam os felizes convivas a conhecidíssima quadra popular:

 

Se São João soubesse
Que era hoje o seu dia.
Descia do céu à terra
Com prazer e alegria.

 

 

 

 

E os bacamartes e as roqueiras estrugiam na praça e nas estradas, os alforjes refaziam-se de provisões, a tiracolo dos lutadores, e os cocos, as canas e os inhames começavam cair do cimo das embaúbas nas fogueiras crepitantes, que tinham por guarda de honra os meninos traquinas, e os endiabrados moleques, que os retiravam dos leitos brasas de tições, para comer aos pinotes, soprando, queimando-se.

 

No mais intenso do folguedo escutavam-se, de par com os ecos das roqueiras, tropéis de cavalos nas estradas, e em breve, tomando fabuloso aspecto, senhores de engenho e seus pajens transpunham a praça da Matriz, trajados de branco, de botas e luvas de couro, talhando a escuridão com busca-pés acesos, e pulando a cavalo colossais fogueiras, ao lado das quais, estendidas ao longo, incendiadas palmeiras semelhavam cometas abatidos no campo de luta.

 

Nos domicílios francos as matronas rusgavam com as escravas, preparando as mesas: e graciosas moças, os primos e primas, lançavam os dados consultando livros de sortes, os cartões do Oráculo das Damas, e cogitavam de predições obtidas à meia-noite.

 

De vez em quando, uma cadeira caía daqui, a mesa revirava dacolá, uma manga de vidro partia-se no chão; e espavoridos bandos corriam em alarido, barafustando pelos quartos, pelos corredores, pelo interior da casa: era algum busca-pé desgarrado que chiava junto das saia da mulata velha, que espevitava devota os morrões nas banquetas do santo.

 

Passado o incidente, tudo entrava na ordem habitual, recrudescendo incessantes no largo as rumorosas justas, as repetidas vaias a um busca-pé encovado, ao desastre de um chibu.

 

Animados destarte os tradicionais brinquedos, repletas as mesas da fina canjica de milho verde, manauês, carás, melado, excelentes garrafas de vinho do Porto, e o mais que serviam-se os convidados e a família entre entusiásticos vivas e estrepitosas saúdes, apenas o relógio da torre batia meia-noite, novas e múltlipas cenas iam ter lugar, invariáveis em todo Brasil.

 

Entre a luz – São João, e as trevas – o demônio, desdobrava-se um crepúsculo que a imaginação popular ilustrava de superstições.

 

E tarde, bem tarde, aos incêndios do largo, montado em seu cavalo negro, como o terceiro cavaleiro do Apoclipse, o último senhor de engenho arrojava-se fantástico, saltando duas e mais fogueiras, aos clamores vitoriosos dos festejadores em turmas, ao assombro das famílias atenta às janelas.

 

"Ao nascer do sol – porque depois as águas perderiam sua virtude – tomava-se o banho de São João, que gozava de propriedade miraculosas."

 

E festivos em bandos, povoando as estradas ermas, moças e rapazes lá iam banhar-se nas fontes, ouvindo-se entremeiados de danças, de pequenas corridas, de expansivas risadas, nativos trovares:

 

Ó meu São João,
Eu vou me lavar;
Se eu cair no rio
Mandei me tirar.

 

No mesmo diapasão, aos frios matinais, as tabaroas e os matutos descantavam de volta quadrinha adequada:

 

Ó meu São joão
Eu já me lavei;
As minhas mazelas
No rio deixei.

 

No vastíssimo cenário de infantis crendices do povo brasileiro, uma se destaca tão bela, tão perfumada de inocência e candura que nos leva direito aqui reproduzi-la.

 

Era da crença popular que, nessa noite, São João a pedido de seus devotos e festejadores, baixava do céu, vindo ver sua festa e abençoar as fogueiras, ficando marcadas as que fossem encontradas às escuras...

 

E a ortodoxia da lenda era respeitada e seguida em quase todo o norte, derradeiro refúgio dos nossos costumes e das nossas tradições.

 

 

SÃO JOÃO : LENDAS

 

 

Além das tradições e dos costumes que cercam a festa de São João, existem também algumas lendas presentes na época destes festejos. Confira:

 

 

BUMBA-MEU-BOI

 

 

O enredo desta lenda, transformada em dança em todo o Brasil é o seguinte: uma mulher grávida, chamada Catirina, comunica ao marido Pai Francisco o desejo de comer língua de boi. Para atender ao desejo da mulher, o marido mata o primeiro boi que encontra. Logo depois, o dono do boi, que era o patrão do Pai Francisco, aparece irritado com a morte do boi. Para consertar a situação, um curandeiro surge e consegue ressuscitar o boi. Todos ficam felizes e começam a brincar. O boi desta dança é construído de papelão ou madeira, coberto por um pano colorido. Alguém fica dentro da carcaça, fingindo ser o boi.

 

 

FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

 

 

Diz a lenda que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam fazer visitas uma a outra. Certa tarde, Santa Isabel contou a Nossa Senhora que em pouco tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista. - 'Como poderei saber do nascimento desta criança?' perguntou Nossa Senhora. - Acenderei uma fogueira bem grande, assim você poderá ver de longe que João nasceu. No esperado dia, 24 de junho, Santa Isabel cumpriu a promessa e de longe grandes chamas vermelhas puderam ser vistas. Por isso, a tradição das fogueiras no festejo junino.

 

 

SANTO ANTÔNIO

 

 

Diz a lenda que duas moças não tinham dinheiro para o dote, e portanto não arrumavam casamento. Santo Antônio teria jogado um saquinho de moedas pela chaminé para suas vizinhas na época: as duas moças desamparadas. Este episódio da vida do santo teria dado origem à sua fama de ajudar as moças a arrumarem marido.

 

 

BOCAMARTEIROS

 

 

Considerados uma das manifestações mais fortes do ciclo junino, os bacamarteiros têm suas origens na Guerra do Paraguai, há cerca de 100 anos. Presentes no Agreste Pernambucano até hoje, eles usam roupas de cangaceiro ou traje de brim azul e lenços vermelhos no pescoço portando bacamartes - armas de fogo de cano curto e largo - que disparam com carga de pólvora seca. Os estampidos são para homenagear os santos padroeiros.

 

 

SÃO JOÃO : 24 DE JUNHO

 

 

Outro santo muito comemorado no mês de junho é São João. Esse santo é o responsável pelo título de "santo festeiro", por isso, no dia 24 de junho, dia do seu nascimento, as festas são recheadas de muita dança, em especial o forró.

 

No Nordeste do País, existem muitas festas em homenagem a São João, que também é conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabeça e de garganta.

 

Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão. Existe uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria à terra.

 

As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada. O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.

 

O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro.

 

Contra a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo. O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro. Uma outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada.

 

A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha. Depois da lavagem , o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho.

 

Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos dos santos com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.

 

 

A LENDA DAS BOMBAS DE SÃO JOÃO

 

 

Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai. A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante.

 

No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.

 

Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos. A festa de São João: Em festa de São João, na maioria das regiões brasileiras, não faltam fogos de artifício, fogueira, muita comida (o bolo de São João, principalmente nos bairros rurais, é essencial), bebida e danças típicas de cada localidade.

 

No Nordeste, por exemplo, essa festa é tão tradicional que no dia 23 de junho, depois do meio-dia, em algumas localidades ninguém mais trabalha. Enfeitam-se sítios, fazendas e ruas com bandeirolas coloridas para a grande festa da véspera de São João. Prepara-se a lenha para a grande fogueira, onde serão assados batata-doce, mandioca, cebola do reino e milho. Em torno dela sentam-se os familiares de sangue e de fogueira.

 

O formato da fogueira varia de lugar para lugar: pode ser quadrada, piramidal, empilhada… Quanto mais alta, maior é o prestígio de quem a armou. Os balões levam, segundo os devotos, os pedidos para o santo. Quando a fogueira começa a queimar, o mastro, que recebeu a bandeira do santo homenageado, já se encontra preparado. Ele é levantado enquanto se fazem preces, pedidos e simpatias.

 

Depois do levantamento do mastro, tem início a queima de fogos, soltam-se os busca-pés e as bombinhas. A arvorezinha, também chamada de mastro, que é plantada em frente às casas e, no lugar da festa, é plantada perto da fogueira, está enfeitada com laranja, milho verde, coco, presentes, garrafas, etc.

 

A cerimônia do banho varia de uma região para outra. No Mato Grosso, por exemplo, não são as pessoas que se banham nos rios, e sim a imagem do santo. Na Região Norte, principalmente em Belém e Manaus, o banho-de-cheiro faz parte das tradições juninas. A preparação do banho de São João inicia-se alguns dias antes da festa.

 

Trevos, ervas e cipós são pisados, raízes e paus são ralados dentro de uma bacia ou cuia com água e depois guardados em garrafas até o momento do banho. Chegada a hora da cerimônia, os devotos lavam e esfregam o corpo com esses ingredientes. Acredita-se que o banho-de-cheiro tenha o poder mágico de trazer muita felicidade às pessoas que o praticam.

 

As danças regionais, o som de violas, rabecas e sanfonas, o banho do santo, o ato de pular a fogueira, a fartura de alimentos e bebidas - tudo isso transforma a festa de São João numa noite de encantamento que inspira amores e indica a sorte de seus participantes. No fim da festa, todos pisam as brasas da fogueira para demonstrar sua devoção.

 

 

POR QUE TANTAS FOGUEIRAS , PRINCIPALMENTE NO DIA DE SÃO JOÃO?

 

 

Para a Igreja Católica o costume de acender fogueiras no dia de São João se deve ao fato de Maria, mãe de Jesus e prima de Isabel, mãe de João, ter ido fazer uma visita nas proximidades do nascimento do filho de Zacarias e Isabel.

 

Como Maria passou três meses com a prima, nas montanhas de Judá, e a comunicação era difícil, combinou com José, o seu noivo, que lhe avisaria quando o filho de Isabel nascesse, acendendo uma fogueira na frente da casa para que ele então fosse buscá-la. O fogo passou então a ser um louvor a São João e a fogueira um símbolo do seu nascimento.

 

Ao lado das fogueiras, símbolo maior e tradicional da festa, encontramos diversos elementos que reforçam o paralelo existente entre o profano e o sagrado no Ciclo Junino, seja através dos fogos de artifícios, dos cultos aos três santos católicos (Santo Antônio, São João e São Pedro) , como a procissão do Acorda Povo ou nas tradições dos negros vindos da África, em suas louvações a Xangô - Senhor dos Raios e Trovões.

 

E ainda na culinária, vinculada ao início da colheita do milho, na tradição dos bacamarteiros e , finalmente, nas danças como o coco, a ciranda, o xaxado e a quadrilha, pontuadas por uma musicalidade marcada pela contribuição oriunda das culturas portuguesa, indígena e negra.

 

 

SÃO JOÃO : FATOR SOCIAL

 

 

No nordeste brasileiro, a perspectiva das festas juninas transforma as cidades e o espírito das pessoas, que parecem sentir uma irresistível atração e afinidade pela festa. Muitos nordestinos que se encontram fora de seus estados costumam economizar dinheiro, comprar presentes e voltar com eles para sua cidade natal na época das festas juninas, a fim de comemorar os santos.

 

No sudeste é comum que nordestinos abandonem seus empregos, faltem por toda uma quinzena, peçam licença ou ofereçam-se para trocar o período do Natal por alguns dias de folga em junho, ou ainda negociem suas férias para gozá-las no meio do ano e poderem estar presentes às festas juninas, em sua terra. O mês de junho é um mês do refluxo migratório e as companhias de transporte rodoviário e aéreo atestam este fato. Os que não voltam para suas cidades a fim de participar da festa podem encontrar alternativas nas festas juninas realizadas nos grandes centros urbanos sob iniciativa das Secretarias de Cultura .

 

O “São João” (modo pelo qual se referem os nordestinos ao ciclo de festas do mês de junho), principalmente, adquire tal importância na vida social nordestina que não apenas é fonte de preocupação durante todo o ano (quando se poupa dinheiro a ser investido na participação na festa ou se organizam eventos a serem apresentados nela), como ainda move interesses políticos e econômicos que poucas vezes se imagina.

 

De acordo com as informações dos jornais, televisões e rádios, de todo o Brasil, a festa de São João esvazia o Plenário do Congresso, em Brasília. Para se ter uma idéia da importância do São João nordestino, basta saber que em 1993 promessas de cargos e de não cortar algumas emendas de deputados durante a reprogramação orçamentária não foram suficientes para ajudar a aprovar o IPMF e o governo só conseguiu a participação geral no plenário no dia 22 de junho de 1993 porque prometeu a cada um dos deputados nordestinos que eles teriam reservas nos aviões para retornarem a seus Estados antes das festas de São João, que começariam no dia 23 de junho à noite.

 

 

ORAÇÃO DE SÃO JOÃO

 

 

São João, o Divino, nos defenda na batalha contra o mal.Seja nossa defesa contra o egoísmo, a maldade e as armadilhas do demônio.A vós recorro, proteja-me dos perigos que me rodeiam no cotidiano.Que seu escudo me proteja contra meu egoísmo e minha indiferença a Deus e ao próximo. Me inspire a imitá-lo em todas as coisas.Possa a sua benção estar comigo para sempre, de modo que eu possa sempre ver Cristo no próximo, e trabalhar para o Seu Reino. Espero que com sua graça, obtenha para mim junto a Deus, aqueles favores e graças que eu preciso para conseguir vencer as tentações, misérias e aflições do dia a dia. Que seu coração sempre repleto de amor, compaixão e misericórdia para aqueles que estão aflitos e necessitados, nunca deixe de consolar e assistir a todos aqueles que invoquem a sua poderosa intercessão.Confiante e com a esperança que ouvirá as minhas preces e obterá para mim, junto ao Senhor Deus, a graça especial e o favor que reclamo do seu poder e bondade celestial, muito vos imploro a graça de...................(mencionar aqui a graça desejada) E ainda, São João, O Divino, a graça para Glória de Deus e para a salvação da minha alma. Amém .

 

 

 

PROCISSÃO

 

 

 

 

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